domingo, 31 de maio de 2015

O que abril; começou, continuou e recordou.



O mês de abril foi muito interessante e divertido ( tanto que ainda estou pensando nele em pleno fim de maio, mas só pwq procrastinei, procrastinei e procrastinei a digitação do texto... X_x) enfim...


A cada semana do mês participei de uma palestra (no Itau cultural) sobre o tema Quadrinhos.  A ideia era ter um bate-papo enquanto o artista produzia diante da plateia, foi muito empolgante ouvir e vê-los em ação. Conheci quadrinistas novos, revi alguns que já conheço e acompanho, vi pela primeira vez outros e ainda fiz novas amizades (provavelmente será a 3 pessoa a ler o blog ><).

O ciclo começou com o Lourenço Mutarelli
Contou sobre ele, as experiências, a técnica, sobre produzir quadrinhos, livros, teatro. Sobre as vozes na cabeça, os ancestrais, sobre xipe totec, sobre as dificuldades de ser quadrinistas, tanto no ‘fazer’ quanto no ’ganhar’ dinheiro. 

Tudo isso enquanto desenhava (ou dançava rsrs)... Ele, a garrafa, o gato, o macaco, xipe totec, o diabo, a coleira... dentre outras coisas.

Foi um bate-papo muito descontraído e ele foi bem espontâneo, principalmente para responder as perguntas da plateia.

Durante o bate-papo disse coisas como, “fazer quadrinhos é solitário” e acrescentou “escrever é mais solitário”. Explicou que ele começa com a ideia e só depois decide se será quadrinho, livro ou peça de teatro.
 
Falou sobre a técnica, que nos últimos anos tem um tremor na mão, e que isso até ajuda. Já que desenhar é uma minidança e que se aumentar o movimento acaba por virar uma dança. (rsrs)

Também disse coisas, que já ouvi de outros desenhistas, como fazer no próprio rosto a expressão que está desenhando e sobre prospecção (precisei do dicionário para essa palavra e adorei o significado).

 
Deu dicas de como desenhar e outras coisas mais técnicas ( Que meu segundo leitor está intimado a comentar)


De todas as coisas que aprendi na palestra a que mais me chamou atenção e não deixa minha cabeça é a relação da idade do autor com a idade das personagens.  Minhas anotações estão incertas, mas ele disse mais ou menos isso:

 O bom de envelhecer é escrever sobre todas as idades” e acrescentou “um cara de 20 anos escrevendo sobre um cara de 80 anos. Não engulo” .


Noutro momento da palestra ele foi bem cru e sincero sobre as dificuldades de ganhar dinheiro - disse quanto será a porcentagem dele no novo livro. Sempre ouço (e leio) isso de muitos artistas, mas ouvir de um inserido em tantos ramos artísticos teve um peso maior.

 
Gostei bastante do que aprendi, seja para criar ou as dificuldades do ofício.  Ainda não li nada dele (Conheci ele através da HQ ‘mesa para dois’ e o curta de mesmo nome), mas com certeza depois da palestra minha vontade de ir atrás da obra dele aumentou e espero encontrar as versão conrad,  pois o que vi de  gênio,  também vi louco e foi apaixonante.



Na semana seguinte o ciclo continuou com Fábio Moon e Gabriel Bá.

No caso deles, já estou bem mais familiarizado com a produção e já os vi ( e conversei )em outras oportunidades. Foi o bate-papo que mais aproveitei, seja pelo que aprendi ou mesmo pelas curiosidades que um fã enfim compreende. Foi através deles que aprendi a gostar da produção nacional de quadrinhos. Aliás, quem me apresentou “O Girassol e a Lua” 10 anos atrás foi justamente meu segundo leitor que é colaborador. Já conhecia o traço deles, das ilustrações da Revista Recreio, mas ter contato com suas próprias revistas, suas próprias histórias foi muito interessante.

Esse foi o foco da palestra. O tipo de história cotidiana que criam: “encontrar o estranho e o interessante nas coisas normais”, diz Moon.

A palestra foi divida do seguinte modo, enquanto um fala com a plateia o outro desenha, acrescentando conforme o desenvolver.

Na primeira parte temos o Bá, começando o bate-papo como uma das HQs, contando sobre dia-a-dia e o caminho deles até o Itau cultural.
Falou das notícias que viu na tv do metro, contou sobre uma onde a fotografa procurava sua “gêmea”, e que de repente a tv para devido algum defeito e percebe que já é a estação que precisa descer, se apressa e assim chama atenção para o primeiro aprendizado do dia que é não perder o leitor.
Continua com outras coisas como uma carta dos vizinhos, fala das referências, sobre a formação deles como leitor de quadrinhos, do cotidiano, das coisas ruim. “As coisas ruins tão ai, a gente tem que pensar sobre elas”, diz Bá em certo momento. (e essa fala vai de encontro com o que já ouvi em outras palestras do “por que” os quadrinhos mostrarem mais a realidade/atualidade do que outras mídias).

Depois o Bá assumiu os pinceis, enquanto o Moon assumiu o bate-papo, que já emenda com mais uma história do cotidiano ( acontecida pouca antes da palestra, relatando sobre sua ida ao banheiro, o pedido pra desligar o microfone, sobre o que ele pensou lá  e se a produção ouviu ele ou as demais pessoas). Ele prossegue falando sobre o inicio da produção deles, na escola e depois no ensino superior. Os dois foram para o mesmo curso, só que em instituições distintas, assim cada um por aprendeu por um viés.

Enquanto falavam sobre inicio do Fanzine 10 pãezinhos e sobre produzir com regularidade, conforme relatavam as distinções entre o “Ler quadrinhos” e o “Fazer quadrinhos”, o Moon diz algo que chama atenção, mesmo para um fã, e foi meu maior aprendizado dessa palestra.

Eles gostam de super-heróis, “tem soco, chutes, é irado”, só que eles não produziam esse tipo de história. Mas tudo bem! Compreendi que um autor pode gostar de um tipo de quadrinho e produzir outro. O importante é agradar o leitor e “Acreditar no que faz na história”, Moon.

Contar histórias onde o público tem outro tipo de reação, diferente dos super-heróis”, Moon (essa parte da anotação ficou incerta mas espero manter a mensagem dele)

Aliás, reação do leitor foi um grande aprendizado para eles durante a produção do Fanzine, já que ele era vendido de mão em mão, na faculdade, no trabalho, no grupo de estudos.

Sobre trabalhos a quatro mãos eles contam “é difícil trabalhar com um monte de gente e ser honesto”, “deixar o Ego de lado”, “fazer de novo” assim relatam aquela que parece ser a maior vantagem de produzir com alguém tão próximo. Eles podem olhar o trabalho um do outro e serem honesto ou ainda dizer coisas como “Apaga isso, eu sei que você pode fazer melhor”, conta Bá. Até compartilharem um jargão deles que é mais ou menos “venha aqui ver o que fiz antes que eu apague”, definitivamente um companheirismo de fazer inveja a muitos irmãos. Já que “ter duas cabeças é melhor que tentar resolver sozinho”.

Seguindo com o bate-papo, nesse momento recordei muitas coisas quando, o Bá fala sobre “saber onde a história vai chegar, não o fim em si, mas saber onde vai chegar”. Pois uma das coisas que mais apreciei, no inicio, eram as histórias terem fim (diferente do que ocorre com heróis) e naquele momento eu só encontrava isso nos mangás, por isso foi tão natural tornar-se fã dessa dupla. Afinal “Quando não sabe aonde vai acabar, você se perde, perde o interesse”, acrescenta Moon. ( Essa foi uma lição que já sabia, mas ouvir de novo ajuda a fixar ^^')

Próximo do encerramento da palestra, eles contaram como é produzir quadrinhos hoje, com internet e as novas possibilidades. Afinal com mais de 10 anos de sucesso e quase 20 de produção eles virão muitas mudanças. E enquanto comentavam sobre as tiras de internet, abriram minha cabeça com uma fala impactante.  O bom da internet é a regularidade, “esse é o segredo do sucesso da novela”, conta Bá, “passa todo dia”.

Quando é anunciado o fim da palestra, e mais comentários sobre o produzir quadrinhos, nesse caso relativo ao tempo disponível para efetivá-lo (rsrs) Concluíram dizendo que gostam que suas histórias tenham fim. “Você gostou de Daytripper, lê de novo” finaliza Bá.

Após a palestra o momento de felicidade do Fã é trocar duas ou três palavrinhas e, no caso de quadrinistas, solicitar algum desenho (afinal já ouvi em outras palestras que depois de desenhar lésbicas vampira zumbis, ou mais ou menos isso, o fã pode pedir o que quiser rsrs).  Enquanto aguardava o inicio de cada encontro do mês, li 10 paezinhos: Fanzine e nesse momento pude receber um autógrafo e um desenho de cada. Ainda preciso ler muita coisa deles,  mas enfim tenho um desenho do Bá *_*, já tinha alguns do Moon (E sim eu sei reconhecer a sutileza no traço de cada).

obs: os trechos onde eu não identifiquei quem disse o que, é por puro relapso de não ter anotado. Desculpe.


Continuando o mês, no terceiro encontro,

5 comentários:

  1. aaaaa dinheiro, dinheiro, voce nao vale nada mas eu gosto de voce, aonde tu se esconde razao das ilusoes de poder, superavit primario ou magisterio tanto faz tabela cambial e o escambal num entendo nada de economia(deveria?sim duvida)
    o mercado economico e suas cadeias e muito louco, do produtor ate chegar na mao do consumidor é uma saga(pelomenos e o que ouvi falar de um cara que e amigo dum visinho da tia de um cara aleatorio que e o primeiro cara queu tava falando) muito do valor final vai send..... ficou muito longo ta parecendo um email , direto ao que interessa... quem faz quer vender, e ser visto, depender dos outros é ruim , ser independente tambem nao e facil, publico inconsistentemente passivo em sua maioria esperando ser surpriendido com o novo sucesso que ja ficou velho la fora. soluçoes nao tenho , mas tem uma novidade ai , que vai abalar (vai nao) as estruturas do mercado e suas estruturas do modelo de negocios: uma rede mundial de telepatia , onde todo mundo podera se comunicar sem limites fisicos e compartilhar suas ideias sem atravessadores. sera que e sonhar demais ... nao sei... mesmo

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    1. Aguarde em confie! No desenvolver do texto, terá mais pano pra manga. =PP

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  2. Cuidado ai, esse lance de relacionar idade(sexo, profissao, nascionalidade, inclinaçao politica, etc) do autor com sua obra é uma ARMADILHA, se aceitar isso como verdade no final so poderemos escrever biografias, no sentido de que para fazer um personagem velho temos que ter vivido e sentido na pele o que é ser um velho, estariamos limitados ao que somos, e na real tudo, tudo o que se le escreve é falso, com algumas pinceladas de um consciente coletivo prara manter as ideias ideoogicas(...pode isso?) concisas. Eu concordo que a idade interfere no produto final, a escrita é um trabalho mental , se com o tempo a mente se modifica é de se espera que seu trabalho tambem mude, , , é errrado esperar fidelidade de ficçao, a nao ser que tal obra ofereça isso como presuposto, é calrao que emoçeos reais levam masi realidade, mas nada subtitui a pesquisa e o exercicio de empatia, pois se voce esperar um cara ficar velho pra poder discursar como um velho, no final ele vai discurdar sobre ele mesmo e no final vai ter de fazer uma pesquisa (pensar no outro mesmo) , e eu te pergunto ele nao podeira fazer isso antes? talvez eu tenha mudado o sentido , talvez a questao é que na se ve autores jovens escrevendo sobre velhos. se colocar no lugar do outro, e pesquisar.... quanto masi eu penso a respeito eu descubro que sai sei nada.

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    1. Concordo! Não aceito como verdade. O que me chamou a atenção na fala foi, enfim, compreender porque tenho dificuldades em criar personagens com idades distante da minha. Nenhum personagem meu, falando de personagens com profundidade, estão além da faixa de 20, 25, 30 anos, ou são crianças. Essa compreensão que explodiu minha cabeça O_o e me orienta para empatia, que ele relaciona com a explicação de Prospecção ( sondagem dos sentimentos e pensamentos alheios, Houaiss) que não pude escrever mais sobre. Afinal estava entretido com o bate-papo, isso que escrevi não é nem 15% de todo conteúdo desse ciclo.

      Deixei tudo bem resumido, e ainda falta imagens rsrs

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  3. caramba bastante coisa mesmo, ainda bem.Sugestao> divide em varios postes pra facilitar a leitura, se precisara coloca no fim de um ou no começo do outro uns links para as antigas e futuras publicaçoes que estao conectadas/relacionadas ,e ouver ordem de leiura coloca part 1, 2 , etc...

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